terça-feira, 12 de novembro de 2013

No dia em que eu morri...

“São 6 da manhã, e o céu já deveria saber. Nada estava como antes, e já não importava mais. Nenhuma ligação, nenhuma sms. As roupas estavam dobradas, os livros todos no lugar e a cama arrumada. Ninguém dormiu lá. Barulho na sala, era o telefone tocando. Por algum acaso ninguém atendia. Não conseguia pensar em nada, parecia tudo tão triste. Minha música preferida estava tocando, eu não conseguia falar. E como eu deveria ter falado. No dia em que eu morri eu estava esperando uma ligação da minha amiga, iamos confirmar o cinema a noite. Três correspondências estavam sob a mesa, morri devendo. E para minha felicidade, não precisarei pagar. De todos os meus amigos, eu acho que alguém se preocuparia com esses detalhes. Espero que eles lembrem que eu não gosto que mexam nas minhas coisas. Engraçado, a gente morre e deixa contas pra pagarem, coisas pra arrumarem e corações pra serem preenchidos. Minha morte não foi tão horrível, não tanto quanto a minha vida. Falando nela, sempre fui “na minha”. É, quase nunca saía e nunca fui de beber. Ultimamente andava estranha, pelo menos para mim. Os pensamentos já não eram os mesmos, as música também já não eram as mesmas e talvez o brilho também não era o mesmo. Ele deve ter pego tudo. Minha mãe dizia que no final tudo ia dar certo. Olha eu aqui, estou no final. Antes de mais nada quero que saibam que eu não morri fisicamente, tive a pior das mortes possíveis. Eu morri por dentro. Morri com palavras, com pensamentos.”

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